Una bibliografia sugerida

MARIO BALLESTEROS / México

Entender e desentender a produção espacial contemporânea na América Latina: uma bibliografia sugerida.

A América Latina tem sido, desde que se chama assim, um Eldorado de extremos paradoxais e fantasias esquizofrénicas para colonialistas, nacionalistas, culturalistas, anarquistas, neoliberais e separatistas. O lugar onde tudo é possível mas nada se passa: uma região que recebe sempre de bom grado a mudança radical, inclusivé violenta, para logo a desarmar e digerir e assimilar à sua normalidade esmagadora, densa e debilitada. As cidades latino-americanas têm-se ocupado em concentrar, bater e realçar todas e cada uma das aspirações modernistas (e modernizadoras) do século XX para as desdobrar e distorcer até ao ponto em que aparentam o contrário: informalidade, desigualdade, violência, “fracasso”. Mas, são estes os valores contrários à modernidade ou simplesmente a sua face menos amável?; são os seus rasgos mais extremos em bruto?

A cidade latino-americana é a mistura que se transborda, se queima, evapora e aglutina nas camadas económicas e socioculturais gelatinosas e impenetráveis, mas cheias de obstáculos, resíduos e elementos estranhos. Desde os paraísos industriais da maquila no norte do México transformados em infernos urbanísticos, aterros de vidas humanas e terras de ninguém entrincheiradas entre guerras, entre o Estado e bandos de traficantes rivais; até às topografias construídas, instáveis e exuberantes, das periferias de Medellín ou Caracas; aos complexos branqueados, tratados e vedados do Mar del Plata ou Concepción ou do Rio de Janeiro: nas cidades da América Latina tudo nos recorda de tudo o resto.

Para entender a urbe latino-americana não faz falta estudá-la, mas sim resistir-lhe, sobreviver a ela. Esta bibliografia sugerida, mais do que oferecer uma análise ordenada e exaustiva, é uma coleção de momentos de lucidez vividos e transmitidos sobre a construção do espaço nas nossas cidades. É uma bibliografia intuitiva, visceral, emocional. Uma lama dessas camadas que sobrevivem e ativam outras, sedimento de pedra e sangue índio e cinzas de conquistadores e escravos e mestiços e mulatos e bastardos e refugiados e turistas. De dejetos humanos e dejetos culturais e dejetos tóxicos e madeiras e metais preciosos e máscaras e escudos de penas. Clichés orientalistas, clichés panamericanistas, clichés de telenovela, clichés de discurso zapatista ou sandinista ou bolivarista ou dependentista ou terceiromundista, clichés sensacionalistas policiais. Lugares comuns revelados, enaltecidos, adorados, sentidos e materializados, exorcizados, oferecidos ao sol; e logo questionados, desacreditados, escondidos, enterrados, esquecidos. Só para revisitá-los depois.

MARIO BALLESTEROS / México

Entender y desentender la producción espacial contemporánea en América Latina: una bibliografía sugerida.

América Latina ha sido desde que se llama así un Eldorado de extremos paradójicos y fantasías esquizofrénicas para colonialistas, nacionalistas, culturalistas, anarquistas, neoliberalistas e irredentistas. El lugar donde todo es posible pero nada pasa: una región que recibe siempre gustosa el cambio radical, incluso violento, para luego desarmarlo y digerirlo y asimilarlo a su normalidad apabullante, densa y debilitadora. Las ciudades latinoamericanas se han ocupado de concentrar, batir, y regurgitar todas y cada una de las aspiraciones modernistas (y modernizadoras) del siglo XX para desdoblarlas y distorsionarlas hasta el punto en que aparentan lo contrario: informalidad, desigualdad, violencia, “fracaso”. Pero, ¿son estos los valores contrarios a la modernidad o simplemente su cara menos amable; sus rasgos más extremos en crudo?

La urbe latinoamericana es el melting pot que se desborda, se chamuzca, se evapora y se aglutina en capas económicas y socioculturales gelatinosas e impenetrables, pero llenas de tropiezos, residuos y elementos extraños. Desde los paraísos industriales de la maquila en el norte de México devenidos infiernos urbanísticos, vertederos de vidas humanas y tierras de nadie atrincheradas entre guerras entre Estado y bandas narcotraficantes rivales; hasta las topografías construidas, inestables y exuberantes, de las periferias de Medellín o Caracas; a los complejos blanqueados, manicurados y vallados de Mar del Plata o Concepción o Rio de Janeiro: en la ciudades de América Latina todo nos recuerda a todo lo demás.

Para entender la urbe latinoamericana no hace falta estudiarla, sino soportarla, sobrevivirla. Esta bibliografía sugerida, más que ofrecer un análisis ordenado y exhaustivo, es una colección de momentos de lucidez vivida y transmitida en torno a la construcción del espacio en nuestras ciudades. Es una bibliografia intuida, visceral, emocional. Una embarrada de esas capas que sobreviven y activan otras, sedimento de piedra y sangre india y cenizas de conquistadores y esclavos y mestizos y mulatos y bastardos y refugiados y turistas. De desechos humanos y desechos culturales y desechos tóxicos y maderas y metales preciosos y máscaras y escudos de plumas. Clichés orientalistas, clichés panamericanistas, clichés de telenovela, clichés de discurso zapatista o sandinista o bolivarista o dependentista o tercermundista, clichés de nota roja policíaca. Lugares comunes revelados, enaltecidos, adorados, sentidos y materializados, exorcizados, ofrecidos al sol; y luego cuestionados, desacreditados, escondidos, enterrados, olvidados. Sólo para revisitarlos después.

BIBLIOGRAFIA

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