Abertura (trilogia da terra)

PAULO TAVARES

Abertura / Brasil

Entre 1979 até o ano de sua morte em 1992, o filósofo e psicanalista Francês Félix Guattari esteve por sete vezes no Brasil. Uma dessas viagens, realizada em 1982, ficou registrada no livro Micropolítica: cartografias do desejo, compilado em co-autoria com a psicanalista Brasileira Suely Rolnik. “Talvez seja isso que estou buscando com tanta viagem nos últimos tempos” — declarou Guattari nesta ocasião — “é isso que me leva sucessivamente à Palestina, à Polônia, ao México, ao Japão, ao Brasil. Será que existe um povo desterritorializado que atravessa esses sistemas de re-territorialização capitalística?”

Durante os anos 80, o Brasil passava por uma transformação radical. Deixava praticamente vinte anos de regime militar em direção à abertura democrática. Ao lado das transformações macro-políticas no aparato do Estado, o país vivia um intenso processo de formação de agenciamentos micro-políticos nos mais diversos setores do tecido social, um processo de criação de territórios menores por onde se desenhavam ‘cartografias dissidentes’ à lógica autoritária que foi cultivada pelo regime. Foi justamente essa articulação entre as transformações políticas ‘molares’ e ‘moleculares’ que mobilizou as paixões e viagens de Félix Guattari pelo Brasil durante este período.

Abertura (trilogia da terra) parte da leitura dos registros da viagem de 1982 para investigar as dimensões espaciais do processo re-democratização no Brasil afim de refletir sobre seus desdobramentos contemporâneos. O projeto mapeia a formação destes espaços menores em três escalas: urbana, agrária e territorial. Cada uma dessas dimensões é observada através de materiais de arquivo organizados em torno de conversas com personagens que foram atuantes neste processo. Tomadas em conjunto, esta trilogia revela que no centro da ‘revolução molecular’ brasileira encontrava-se a abertura de um antigo nó colonial — a terra.

ABERTURA (TRILOGIA DA TERRA) 
3-channel vídeo installation, sound, color, 47 min 

projeto de Paulo Tavares 
realizado com Anderson Santos e André Dalbó 

com a participação de Ermínia Marticato, João Marcos, Izabel Lopes, Darci Frigo e Carlos Marés 

Realizado para a exposição “Devir-menor: arquiteturas e práticas espaciais críticas na Iberoamérica”, com curadoria de Inês Moreira e Susana Calo, Sociedade Martins Sarmento, Guimarães, Portugal.

Abertura / Brasil

Entre 1979 hasta el año se su muerta en 1992, el filósofo y psicoanalista francés Feliz Guattari estuvo siete veces en Brasil. Uno de esos viajes realizado en 1982, quedó registrado en el libro Micropolítica: cartografías del deseo, compilado en coautoría con la psicoanalista brasileña Suely Rolnik. “Tal vez sea  esto lo que estoy buscando en los últimos tiempo, en tantos viajes”—declaró Guattari en esta ocasión— “esto es lo que me lleva sucesivamente a Palestina, a Polonia, a México, a Japón, a Brasil. ¿Será que existe un pueblo desterritorializado que atraviesa esos sistemas de re-territorialización capitalista?”

 Durante los años 80, Brasil pasaba por una transformación radical. Dejaba atrás prácticamente veite años de régimen militar, en dirección a una apertura democrática. Junto a las transformaciones macro-políticas en el aparato del estado, el país vivía un intenso proceso de formación de conjuntos micro-políticos en los más diversos sectores del tejido social, un proceso de creación de territorios menores por donde se dibujaban “cartografías disidentes” a la lógica autoritaria que fue cultivada por el régimen. Fue justamente esta articulación entre transformaciones políticas “molares” y “moleculares” las que movilizando las pasiones y viajes de Félix Guattari por Brasil durante este periodo.

Apertura (Trilogía de la Tierra) parte de la lectura de los registros del viaje de 1982 para investigar las dimensiones espaciales del proceso de re-democratización en Brasil, con el fin de reflexionar sobre su desarrollo contemporáneo. El proyecto mapea la formación de estos espacios menores en tres escalas: urbana, agraria y territorial. Cada una de esas dimensiones es observada a través de materiales de archivo organizados en torno de conversaciones con personas que fueron actores en este proceso. Tomadas en conjunto, esta trilogía revela que en el centro de la “revolución molecular” brasileña, se encontraba la abertura de un antiguo nodo colonial—-la tierra.

APERTURA (TRILOGÍA DE LA TIERRA) Instalación de video en tres canales. Sonido, color 47 minutos. Proyecto de Paulo Tavares realizado con Anderson Santos y André Dalbó con la participación de Ermínia Marticano, João Marcos, Izabel Lopes, Darci Frigo y Carlos Marés. Realizado para la exposición “Devir-menor:  arquiteturas e práticas espaciais críticas na Iberoamérica”, Comisariado por Inês Moreira y Susana Calo, Sociedade Martins Sarmento, Guimarães, Portugal.