Ecologia e (geo-)arquitectura

Ecologia e (geo-)arquitectura

GODOFREDO PEREIRA

O presente texto debruça-se sobre a geo-arquitectura da Venezuela. Irá para isso situar o actual projecto bolivariano no contexto de uma emergência alargada de movimentos sociais enquanto actores políticos, e no âmbito da relevância geopolítica das reservas petrolíferas da bacia do Orinoco. Contextualizado por esse processo anti-hegemónico, será introduzido o processo Mision Vivienda que tem em vista a produção de dois milhões de habitações nos próximos anos, indagando se este se constitui como um movimento menor. De seguida ir-se-à debruçar sobre a especificidade de alguns destes projectos, da sua implementação e profanação, focando a relação ambígua entre a narrativa bolivariana e as práticas culturais e sociais da população. A geo-arquitectura da Venezuela será entendida a partir desta relação constante com a contingência social, material e económica, e conceptualizada na relação entre o território e a Terra, sendo o primeiro uma necessidade política premente (liberdade), e a segunda uma inevitabilidade de desterritorialização constante às mãos das mais variadas forças. O texto concluirá tecendo uma consideração sobre diferentes formas de desterritorialização, com vista a uma ética geo-arquitectural.

Ecología y (geo-) arquitectura

GODOFREDO PEREIRA

El presente texto se centra en la geo-arquitectura de Venezuela. Por lo que irá a situar el actual proyecto bolivariano dentro del contexto de una emergencia alargada de movimientos sociales como actores políticos y dentro del ámbito de la relevancia geopolítica de las reservas petrolíferas de la cuenca del Orinoco. Contextualizado por este proceso anti- hegemónico, introduciremos el proceso Misión Vivienda que tiene a la vista la producción de dos millones de viviendas en los próximos años, indagando si este se constituye como un movimiento menor. Inmediatamente nos centraremos en la especificidad de de algunos de estos proyectos, en su implementación y profanación, enfocando la relación ambigua entre la narrativa bolivariana y las prácticas culturales y sociales de la populación. La geo.arquitectura de Venezuela será entendida a partir de esta relación constante con la contingencia social, material y económica y conceptualizada en la relación entre territorio y la tierra, siendo el primero una necesidad política permanente (libertad), y la segunda una inevitabilidad de desterritorialización constante en las manos de las fuerzas más variadas. El texto concluirá tejiendo una consideración sobre diferentes formas de desterritorialización , con vista a una ética geo-arquitectural.