CRÍTICA, PRÁTICAS E ABERTURA

(Imagem: Horacio Zabala, Apariciones/ des-apariciones, 1972)

CRÍTICA, PRÁTICAS E ABERTURA

SUSANA CALÓ

De que se fala quando se fala de Ibero-América? Que ficções são projectadas sobre o seu território e que ficções participam da sua construção? Que continuidades e diferenças atravessam contemporaneamente as práticas espaciais destes vários países? Qual a potência de projectos que tentam intervir politicamente ao nível das práticas, dos modos de vida e do pensamento? E qual a produtividade de pensar uma relação de continuidade entre as práticas criativas, estéticas e arquitetónicas e uma política do menor ancorada na esfera da vida?

Tendo em consideração a relação modernidade – colonialidade e necessariamente questionando a constituição geopolítica da própria ideia de Ibero-América, procuraremos neste texto clarificar as condições que achamos necessárias para problematizar possíveis encontros e coincidências entre diversas práticas espaciais que têm recentemente emergido neste contexto. Para isso, debruçar-nos-emos sobre o conceito de “devir-menor” que dá título e fundação crítica ao projecto. Enunciado filosoficamente por Deleuze e Guattari no âmbito de uma concepção ético-política da literatura, ressaltaremos alguns aspectos que dele emergem e que nos parecem determinantes para pensar a relevância do que são hoje práticas espaciais críticas no âmbito do Sul Global. Focaremos a relevância de um posicionamento crítico perante discursos hegemónicos e unitários; uma atenção aos modos de produção coletivos e práticas ecológicas; e a relação entre a vivência do espaço e modos de vida, de pensamento e produção de subjectividade.

Atentaremos também ao modo como o próprio livro entra em composição com a exposição, dialogando e abrindo um plano de encontro e tradução entre formatos com as contribuições novas de Eduardo Pellejero (filósofo), Patricio del Real, Godofredo Pereira e Paulo Tavares (arquitectos), Anne Querrien (urbanista e ensaísta), Colectivo Situaciones, Iconoclasistas (activistas), Inês Moreira (arquitecta e co-curadora Devir Menor) e uma entrevista a Boaventura Sousa Santos (sociólogo) com Susana Caló.

Em última análise, o objectivo é o de produtivamente gerar um amplo campo de debate que interrogue as possibilidades de criação e intervenção abertas através da discussão de Práticas Espaciais Críticas na Ibero-América.